Partilho com vocês...
Se fosse eu a escrever, não lhe acrescentaria mais nada!
Besos.
Mukanda
" Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Por causa da casa e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em «diálogo».
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornam-se sócios.
Reunem-se, discutem problemas e tomam decisões.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam «praticamente» apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio ao amor puro e duro, ao amor cego, ao amor estúpido, ao amor doente, ao único amor verdadeiro que há.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros, malta do « tá bem, tudo bem», tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banancices, matadores do romance, romanticidas!
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma judinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso «jeitinho sentimental»!
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos.
Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja, foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor!
É essa beleza, é esse perigo!
A vida às vezes mata o amor.
A vidinha é uma convivência assassina!
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro é uma condição!
O amor não se percebe.
Não é para perceber.
O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma.
É a nossa alma a desatar.
A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não comprende.
O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe.
Num momento, num olhar.
O coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para se perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder.
Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também"
Miguel Sousa Tavares. (Obrigado a quem partilhou este texto fantástico comigo).
Dez chamamentos ao amigo
Há 1 semana

2 comentários:
As contrariedades são muitas, mas nem por isso deixamos de amar, há tempos escrevi algo que mostra muitas dessas contrariedades, deixo-vos aqui:
"Que dia louco o de hoje…
Tu, perdida num labirinto de incertezas
Eu, perdido nas incertezas do labirinto
E a nossa vida… Um desencontro.
Desencontrou-se a tua vontade de comer
Com o meu desejo de te ver alimentada
Desencontrou-se a tua vontade de sorrir
Com o meu desejo de te ver bem-humorada
E a nossa vida… Uma canseira.
Eu, cansado de ter ver assim parada,
Tu, apostada em nada me mostrares
Eu, cansado de não encontrar respostas
Tu, teimosa em deixares em mim tanto de ti
E a nossa vida…
A vida não é mais nossa, a nossa vida não existe
Agora pouco mais fazemos do que sobreviver
Tu sobrevives vivendo,
Eu vivo sobrevivendo…
Que dia louco o de hoje.!!!
Obrigada Dionisio, por partilhares.
É lindo.
Um beijinho e um abraço mto grande.
Mukanda
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