Hoje, falarei de um tema que sempre esteve presente, nos objectivos para a minha vida.
Em Portugal não é fácil.
Mas também, não é impossivel.
Há pouco tempo, li um texto sobre o mesmo.
"Adopção de crianças
Acolher uma criança não é nenhum acto de heroísmo.
Adoptar é um gesto humano, que exige dedicação e oferece, em troca, um sentido para a vida.
Dar um sentido à vida. Amar e ser amado.
Deixar uma marca de sua passagem pelo mundo.
Ver uma parte de si a propagar-se pelo tempo.
Enfim, vencer a sensação de fim.
É para isso que as pessoas têm filhos, e é por isso, também, que se adopta uma criança.
Essa constatação pode admirar quem vê os pais adoptivos como uma espécie de herói, pessoas caridosas que decidiram abrir as portas da própria casa para uma criança abandonada.
Adopção não tem nada a ver com caridade, e pais adoptivos não podem ser vistos como pessoas especiais.
São pais como quaisquer outros, que cometem os mesmos erros e pecam pelas mesmas ansiedades.
É claro que, no momento da adopção, existe uma boa dose de desejo de ajudar, um sentimento de amor ao próximo.
Mas altruísmo nenhum dura a vida inteira, que é o tempo de uma relação de pai e filho, afinal de contas.
A adopção, é verdade, não deixa de ser um acto de solidariedade.
Se por um lado quem adopta devolve à criança o direito de ter um pai ou uma mãe, ela também lhes oferece a preciosa função de educar, de dar e receber amor.
Permite orientar e aprender com o desenvolvimento da criança, uma experiência que pode ser muito construtiva e exige dedicação.
Porque, como diz Fernando Freire, psicólogo,que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, a adopção é antes de tudo uma atitude frente à vida e seus desafios, uma atitude de quem sabe que o amor é uma das poucas coisas que, quanto mais partilhado, mais cresce.
Nem mais, nem menos
Um filho adoptivo não dará aos pais nem receberá deles amor maior ou menor que um filho biológico.
A mulher é predisposta a gerar e a cuidar do filho, mas, em uma gestação não planejada, por exemplo, ela também tem que decidir cuidar da criança e amá-la. Também é uma escolha, assim como acontece na adopção, diz Gabriela Schreiner, directora - executiva de um centro que auxilia organizações que desenvolvem trabalhos de apoio à convivência familiar.
Não se ama mais um filho porque ele é biológico ou adoptivo.
Ama-se porque o pai ou a mãe tem capacidade de amar, independentemente de o filho ter sido gerado pelo casal ou não.
Quer dizer, não é porque uma mulher teve um filho que vai ama-lo. Tem de ter disposição e capacidade para fazê-lo.
Essa questão de instinto materno nunca foi comprovada cientificamente.
Como em qualquer relação, o amor é construído, diz Gabriela.
O conceito de paternidade não deixa de ter um quê cultural.
Não são poucas as tribos indígenas em que as crianças pertencem ao grupo, não aos pais.
Em certos povos africanos, jovens são criados por tios, primos, avós, fazendo estes o papel de pais.
E, se a preocupação é com o carácter antinatural da adopção, é bom saber que ela existe em outras espécies animais, como os golfinhos, conhecidos por sua inteligência e bom nível de comunicação.
Entre eles, qualquer filhote é do grupo, não dos pais, e toda fêmea pode amamentá-lo.
Se é estranho ler, no primeiro parágrafo, que os pais adoptivos também querem ver uma parte de si a propagar-se pelo tempo, é bom que saibamos que isso acontece, sim.
Não são os genes que se propagarão, é claro, mas a cultura familiar e pessoal não é herança pouca.
Cláudia e o marido, que adoptaram uma criança de 4 anos e meio, contam uma situação curiosa, que costuma acontecer algumas vezes, mesmo em adopções tardias.
Depois de um tempo ela até começou a ficar parecida connosco, principalmente comigo.
Em adopções bem sucedidas, o fenómeno não é incomum.
Muitas crianças adoptadas acabam por adquirir características dos seus pais, como o jeito de sorrir, a maneira de falar ou até a de andar, afirma Gabriela.
E aí está, na verdade, a chave da questão.
Como diz o psicoterapeuta italiano Piero Ferrucci, estimular qualidades humanas como afecto, gentileza e compaixão faz bem.
Pessoas gentis são mais saudáveis, mais amadas e produtivas.
Vivem mais e são mais felizes, enfim.
Quem adopta, portanto, pode-se sentir assim, o que não deixa de gerar certas dúvidas, que são colocadas pelo próprio Ferrucci.
O italiano faz uma ponderação interessante sobre o assunto, que depois ele mesmo responde:
Suponhamos que estamos a ser gentis para nos sentirmos melhor e vivermos mais.
Não estamos, então, a distorcer a própria natureza da gentileza, fazendo algo de forma calculada e em interesse próprio?
A resposta: Não importa. A gentileza dá sentido e valor à vida, eleva-nos acima das nossas dificuldades e lutas e nos transmite inefável bem-estar.
A adopção tem como base um desejo primordial do ser humano, que é amar e ser amado.
Como diz Ferrucci, só podemos estar bem se formos capazes de cuidar uns dos outros, de amar uns aos outros.
Foco na criança
Quem adopta tem de ter em conta não só as suas próprias aspirações, mas também as da criança que é adoptada.
Quem alerta para o risco de o pai ou a mãe de uma criança adoptiva pensar apenas nos seus anseios é a terapeuta de família, Márcia Lopes.
Adopção não se pode transformar simplesmente em um tapa -buraco existencial. Também deve ser voltada para a criança, com quem assumimos a responsabilidade de cuidar e educar.
Devemos criá-la em um meio seguro, para que ela cresça numa família, e não nos preocupar apenas em atender à satisfação de uma necessidade pessoal, encobrindo uma dor que deveria ser por nós mesmos trabalhada, para o nosso próprio crescimento, diz.
O norte-americano Robert Klose, professor de biologia que adoptou um menino da Rússia, concorda com ela.
A adopção é uma troca, uma relação construída no dia-a-dia, em que temos que estar preparados para o melhor e para o pior.
Para adoptar, não basta ter o desejo, a vontade.
Tem que ter muita disposição.
Até porque, no caminho, os pais costumam ter muitas surpresas.
Assim como quem tem filhos biológicos, não conhecemos todos os ingredientes, entramos numa região desconhecida e temos de ter disposição para enfrentar os obstáculos que certamente aparecerão.
Na adopção, como na vida, toda história é única, diz o biólogo.
Com que idade?
Em geral, os pais preferem filhos recém-nascidos.
E é natural que seja assim.
Afinal, eles querem participar de toda a vida da criança.
Mas aos poucos essa exigência vem cedendo espaço, e cada vez mais crianças de 2, 4, 10, 13 anos estão a ganhar pais.
Para Gabriela, isso não faz diferença no sucesso da adopção.
O grande diferencial de uma adopção tardia é o cuidado que os pais devem ter ao lidar com o histórico anterior do filho, diz Gabriela.
Ou seja, os problemas enfrentados pela criança nos primeiros anos de vida pré-adopção.
Há vítimas de maus-tratos, violência, atraso escolar, dificuldade de confiar nas pessoas, baixa auto-estima, entre outros.
Além de muito carinho, a ajuda de profissionais, como psicólogos, educadores, dependendo do caso, pode ser fundamental."
Existem, por este mundo fora,
tantas crianças que necessitam de pais...
Besos
Mukanda
Dez chamamentos ao amigo
Há 1 semana

2 comentários:
Eu e a Ana estavamos numa fase muito adiantada para termos mais um filhote, chama-se César e é lindo. Infelizmente a vida pregou-nos a nós e a ele mais uma enorme partida.
Bem hajas.
Za
Dionisio,
Já te disse que gostava muito de ti, não já?!
Todos os dias me supreendes.
Tens um coração enorme, desculpa tu e a Ana, têm um coração enorme.
Um beijo para ti e para a nossa Patricia linda.
Besos
Andreia
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