segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Deixa ... Depois podes Partir

Deixa ficar comigo a madrugada, para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.


Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!


Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...


Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.


David Mourão-Ferreira

2 comentários:

Pedro Branco disse...

Lindos estes poemas que andas a escolher! Apetece ficar a olhar só...

Beijo.

Maria disse...

Este Poeta é um dos que não comento, porque não sei... é um dos meus preferidos...

Um beijo