sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Deixo-vos como sugestão para o fim de semana.
Eu já vi e gostei muito.
Um filme a não perder!

Bom fim de semana.
Beijos.

Vicky Cristina Barcelona




"... Sua premissa filosófica, neste filme, permeia também a inspiração artística que impele vivacidade, a sobreposição entre uma personalidade e outra, além do hedonismo sofisticado regido por bons vinhos e belos cenários, possíveis apenas nas férias de verão das extraordinárias cidades européias.
A interface das situações se dá também quando Allen exprime uma espécie de obsessão em abordar a oscilação temperamental e psicológica do Homem (sapien), rompendo, nesse caso em específico, com sua característica em superficializar o drama e a comédia - ação indiretamente corriqueira entre um filme e outro de sua autoria.
No entanto, em Vicky Cristina Barcelona, que tem como protagonistas as duas amigas Vicky (Scarlett Johannson) e Cristina (Rebecca Hall), a narrativa nos envolve na dicotomia entre os ideais de duas jovens e belas personagens em despeito do amor, comportamento e valores.
Vicky é a menina rica e bem comportada, que pesquisa aprofundadamente a cultura catalã para seu mestrado e está noiva de um homem rico Doug (Chris Messina), membro da alta roda Novaiorquina. No entanto, é também refém de valores absolutistas que a faz desconhecer a verdadeira essência de seus sentimentos.
Cristina, por sua vez, embora tenha viajado provida da frustração por seu fracasso em conceber um curta-metragem de caráter pífio e ironicamente consistido no amor que nos faz libertários, é mais aberta a novas experiências e se reinventa na viagem à bela cidade espanhola, imergindo em sua nova paixão; o experimento fotográfico.
Para temperar ainda mais tamanho antagonismo entre a filosofia de vida das duas belas e jovens americanas, numa certa noite, ambas conhecem, simultaneamente, em um vernissage, o pintor espanhol Juan Antonio (Javier Bardem), que é bom anfitrião, boêmio e um impetuoso galanteador, mesmo que ainda estivesse se recuperando da recente e desastrosa separação com sua esposa Maria Elena (Penélope Cruz), mulher estupendamente linda, talentosa e ainda mais sedutora que seu marido, a ponto de fincar violentamente uma faca em seu corpo e não suprimir a paixão que o mesmo desenvolverá por ela, o que despertou grande curiosidade em Cristina para conhecê-la em sua total intimidade.
Entre seduções, conquistas e decepções se desenrola uma trama inteligentemente hilária, provida de muito requinte e imagens grandiosas (sobretudo as fotografias produzidas no filme), performances envolventes e que evocam reflexões complexas ao sair do cinema.
Com o exemplo: questionarmos-nos se os valores que estabelecemos como primordiais para um matrimonio são realmente relevantes para atingirmos a felicidade, ou se ficamos tão bitolados com as interferências externas, impostas em suma pelas “regras” da sociedade em que estamos inseridos, a ponto de não enxergarmos nossa previsibilidade.
Com mais uma grande escolha desse extraordinário diretor, feliz em suas provocações e na parceria com grande elenco, o que representa perfeitamente bem sua fantástica inquietude, atribuo a minha cinemateca mais uma obra de arte que perdurará por gerações posteriores e se constituirá como um grande clássico."
Por Tito Oliveira

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