
Lançado já algum tempo, mas só hoje, por intermédio da minha amiga Marisa é que tive conhecimento deste músico, deste albúm.
“1970” é um álbum que poderá ficar, injustamente, de fora dos melhores álbuns nacionais deste ano.
“1970” é um álbum que poderá ficar, injustamente, de fora dos melhores álbuns nacionais deste ano.
É o primeiro álbum a solo de JP Simões, apesar da sua já longa carreira como músico, onde passou por bandas como os Belle Chase Hotel, Pop Dell’Arte ou Quinteto Tati.
Sobre “1970” pode-se dizer que é um álbum cheio de óptimas canções que vai buscar muitas influências ao Brasil e à década de 70.
Sobre “1970” pode-se dizer que é um álbum cheio de óptimas canções que vai buscar muitas influências ao Brasil e à década de 70.
Está lá o samba, está lá o retrato que JP Simões faz da sua geração e a Inquietação de José Mário Branco.
Também se pode encontrar alguma coisa de Sérgio Godinho.
JP Simões escreve também bastante bem.
JP Simões escreve também bastante bem.
É um álbum cheio letras muito bonitas, que não passam despercebidas a quem ouve, o que, infelizmente muitas vezes não acontece noutros álbuns.
É pena não ouvirmos mais vezes a nossa Língua cantada desta maneira.
(Eu sei que sou suspeita! Mas acreditem que sei do que falo.
Tive a sorte de ter conhecido, de ter crescido, de ter tido a meu lado e de ter vivido, durante vários anos, com um excelente músico e compositor português.
Permitam-me dizê-lo, o que todos sabem...Sou a sua fã número 1 :)
Não foram tempos fáceis, ainda não são!
Talvez nunca serão?!
Porque não é fácil, ser-se músico em Portugal,
Principalmente de música Popular Portuguesa.
Não é fácil viver-se da música portuguesa
Eu quase que me atreviria a dizer,
Que é mesmo impossivel!
Quando não se têm "O Padrinho", "O conhecimento"!
Nunca houve cunhas,
Houve sempre muito trabalho diário,
lutou-se sempre muito.
Mesmo quando tudo parecia perdido,
Mesmo quando ninguém acreditava,
Nunca se desistiu!
Acreditou-se e defendeu-se sempre até à última.
O valor que passamos a dar ás coisas é outro.
Não é "gratuito".
É à custa de muito esforço, de muito trabalho,de muita dedicação.
Mas só quem passa por isso,é que percebe o que digo.
Ganhar dinheiro, pode ser fácil,
Ou não?!
Dependendo, do que a pessoa está disposta a fazer,para gánha-lo!
Mas, ganhar dinheiro a fazer realmente o que se gosta,
Não é fácil.
Principalmente quando não temos ninguém que nos dê a mão,
E quando estamos a falar de ser músico em Portugal,de "Música Popular" Portuguesa...Todos sabemos do que falo!
Talvez hoje, a vida monetáriamente, fosse mais desafogada,
Se tivesse cedido a muitas propostas,
De outro "registo"
Mas a verdade é que nunca se questionou, a isso!
O que na verdade, nos faz ainda dar mais valor!
Ou se luta pelo que se ama e pelo o que se acredita,
Ou então....Procura-se outro modo de vida!)
Voltando ao albúm, soa muito bem do início ao fim.
“1970” não se ouve na sua totalidade à primeira.
“1970” não se ouve na sua totalidade à primeira.
É daqueles álbuns que se vai tornando maior, se vai descobrindo aos poucos. Vale a pena experimentar.
Aproveito, para deixar a letra de uma das canções que, até agora, mais gostei do álbum, 1970 (Retrato).
Ouvi-la cantada é ainda melhor.
Mas ainda não está no youtube :(
"1970" Retrato
A minha geração já se calou,
já se perdeu,
já amuou,já se cansou, desapareceu,
ou então casou,
ou então mudou,
ou então morreu;
já se acabou.
A minha geração
de hedonistas e de ateus,
de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistases
tatelou-se docemente contra o céu.
A minha geração
ironizou o coração,
alimentou a confusão,
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.
A minha geração
só se comove com excessos,
com hecatombes,com acessos
de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,de reflexos
da sua funda castração.
A minha geração
é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.
A minha geração
é toda a minha solidão,
é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício,
toda boca
e pouca coisa na mão.
Vai minha geração,
ergue a cabeça
e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido,
deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência
vai corroendoa doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage,
diz que não é nada assim,
que é um lamentável engano,
erro tipográfico,
estatística imprecisa,
puro preconceito,
que o teu único defeito é ter demasiadas qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração,
explica bem alto a toda a gente
que és por demais inteligente
para sujar as mãos neste velho processo,
triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.
Vai minha geração,
nasceste cansada,
mimada,
doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada,
o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção
contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?
Mas, minha geração,
valeu a trapaça,
até teve graça,
tanta conversa,
tanta utopia tonta,
tanto copo,
e a comida estava óptima!
O que vamos fazer?

4 comentários:
O que realmente importa não é onde se chega mas o caminho que se percorre até lá chegar...
Obrigado, por tudo.
Beso.
Andreia... Simplesmente adorei, este teu post! muito bem escrito e vindo de dentro... beijos muitos!!
Obrigada my love.
Obrigada, por me teres dado a conhecer JP Simões.
Beso mui grande e um abraço de mui saudaditas.
Mukanda
Guapita ...
... fabulàstico !!
Besos
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